Eurico Carrapatoso – A morte de Luís II da Baviera em estreia

Eurico Carrapatoso

Foto de João Tuna (2004)

A morte de Luís II da Baviera (2010) de Eurico Carrapatoso, drama musical em uma cena e um acto, sobre texto de Bernardo Soares, para Soprano, Mezzo, Coro e Orquestra, encomenda ARDEFILMES, incluída em O filme do desassossego de João Botelho, com libreto do realizador, conhece a sua estreia absoluta em triplo concerto pela ‘Sinfonietta de Lisboa‘, dirigida por Vasco Pearce de Azevedo, e pelo ‘Coro Ricercare‘, dirigido por Pedro Teixeira, tendo como solistas Angélica Neto e Elsa Cortez.

O concerto de amanhã, 2ª feira, dia 29, decorrerá na Sala da Sociedade de Geografia (ao lado do Coliseu), pelas 21:00h, enquanto os dois anteriores se realizaram no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a 25 de Novembro, e na Igreja do Convento de São Domingos de Lisboa, ao Alto dos Moinhos, dia 27, às 17:00h.

Notas do Compositor sobre A morte de Luís II da Baviera:

Enquanto João Botelho me explicava o filme e o projecto da ópera fumava cigarros pensativos.
A sua exaltação era contagiosa. Eu dizia-lhe “calma, mais devagar, espere” e ele falava-me de Morte, de Providência, de coros de pajens, de atimbales, de metais e arcos; e eu dizia-lhe “calma, calma, mais devagar”, mas ele falava-me de filmagens ao ar livre, de planos, de jogos de luz e sombra caravaggianos, de travellings sobre a orquestra e sobre a cena da morte; e eu dizia-lhe “calma, mais devagar! mas ao ar livre? tem a certeza?”, e ele falava-me de uma encenação em pleno bosque de Sintra; e eu dizia-lhe “calma, mais devagar, mas ao ar livre? o quê? em Sintra? tem a certeza? e os elementos: o frio? a chuva? o nevoeiro?”, e ele dizia-me “sim, sim… conhece outro local mais apropriado para a cena da morte de Luís II, conhece?”.

E então leu-me Bernardo Soares:

Senhor Rei, Pastor das vigílias,
cavaleiro andante das Angústias,
sem glória e sem dama
ao luar das estradas,
senhor nas florestas,
nas escarpas,
perfil mudo de viseira caída

Contempla da janelo do meu castelo
Não o luar e o mar
Que são coisas belas e por isso imperfeitas;
Mas a noite vasta e materna,
O esplendor indiviso do abismo profundo.

Foi assim que conspirámos o projecto, envoltos em tabaco e nevoeiro.
Aos poucos o texto de Bernardo Soares foi-se insinuando como as púrpuras e os oiros bizantinos de Klimt.
Passados uns dias começou-me a doer. Assim nasceu a obra.
E em Março lá estávamos nós a filmar, em pleno bosque de Sintra, na mítica Peninha, inundada de um sol picardo e refulgente que furava as folhagens em mil matizes.

Eurico Carrapatoso, Novembro de 2010

Ficha Técnica:

Eurico Carrapatoso – A morte de Luís II da Baviera (estreia)

Drama musical em uma cena e um acto
Sobre texto de Bernardo Soares (Livro do desassossego)
Libreto de João Botelho
Obra encomendada pela ARDEFILMES, incluída em O filme do desassossego de João Botelho

MORTE – Angélica Neto, soprano
PROVIDÊNCIA – Elsa Cortez, soprano
Coro Ricercare (dir. Pedro Teixeira)
Sinfonietta de Lisboa | Vasco Azevedo

Este triplo concerto ocorre por ocasião do ‘Centenário do Nascimento de Samuel Barber (1910-1981)’, com um programa inteiramente composto por compositores portugueses à excepção do homenageado: João Francisco  Nascimento (1957); Eurico Carrapatoso (1962); Joly Braga Santos (1924-1988); Luiz de Freitas Branco (1890-1955); Vianna da Motta (1868-1948).

Programa dos Concertos:

1ª Parte:

1 – Samuel Barber (1910-1981) – Adagio para cordas, op. 11 (1938)

2 – João Nascimento (1957) – Azinho (2008)

3 – Eurico Carrapatoso (1962) – A morte de Luís II da Baviera (2010) [estreia absoluta]

Soprano: Angélica Neto; Soprano: Elsa Cortez; Coro Ricercare;  Pedro Teixeira: Direcção.

2ª Parte:

1 – Joly Braga Santos (1924-1988) – Nocturno para Orquestra de Arcos (1947)

2 – Luiz de Freitas Branco (1890-1955) – Duas melodias para Orquestra de Cordas op.5 (1909)

I. Lento – Poco adagio e dagitato

II. Andante

3 – Vianna da Motta (1868-1948) – Cenas da Montanha, op.14 (1896)

I. Adagio

II. Presto

Sinfonietta de Lisboa

Direcção: Vasco Pearce de Azevedo

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